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Mens sana in corpore sano

Publicado: setembro 29, 2010 em Filmes que inspiram
“Mens sana in corpore sano” é um conhecido pensamento latino que vem sendo repetido há muitas e muitas gerações mundo afora com a finalidade de consolidar entre os homens a necessidade de cuidar tanto do corpo quanto da mente. Invariavelmente encontra-se essa frase em latim em ginásios e instalações esportivas com o intuito de motivar atletas a conquistar melhores resultados em suas competições esportivas.
O filme “Coach Carter – Treino para a Vida”, estrelado por Samuel L. Jackson e dirigido por Thomas Carter, caminha na direção desse velho provérbio latino não no sentido de torná-lo novamente conhecido entre os homens, mas especificamente na busca de uma reinterpretação de sua mais conhecida tradução.
A terminologia latina não é mencionada no filme, na realidade está nas entrelinhas e pode ser percebida e decodificada com facilidade quando termina a exibição da película. O mais interessante é saber que a nova leitura desse conhecido pensamento, que de tão desgastado já pode até mesmo ser considerado um chavão, baseia-se em fatos reais, seus personagens realmente vivenciaram essa notável experiência e acabam, através da mesma, nos dando mais uma importante e interessante lição de vida.
No entanto, antes de se propor a assistir o filme, acredito que você terá que, como eu, superar a resistência que se impõe a nós, cinéfilos diante de mais um filme que tem como temática a superação de estudantes-atletas, motivados pela presença marcante e carismática de um surpreendente professor/treinador e que, em virtude de uma série de reviravoltas em suas vidas a partir de sua experiência no esporte conseguiram vitórias notáveis…
Esse roteiro já nos parece batido demais e, em função disso, talvez pensemos duas vezes antes de levar o filme para casa. Eu mesmo me vi agindo dessa forma. Não se enganem com as aparências e descrições simplórias da capa e da sinopse. O filme traz muito mais em seu conteúdo do que uma simples história de vencedores do esporte e é nesse ponto que ele atinge o “Mens Sana” latino.
Não basta apenas o “Corpore Sano” surgido da dedicação integral e plena aos treinamentos; Não é suficiente somente a disciplina que leva ao surgimento de muitos campeões; tão importante quanto tudo isso são as vitórias que derivam do estudo, do esforço com os livros e tarefas, da presença e participação em sala de aula. É nesse ponto que “Coach Carter” se diferencia dos demais filmes que tem o esporte como ponto de partida e se torna uma referência diferenciada e inteligente para todos aqueles que trabalham e vivenciam a educação…
A Richmond High School tem um dos piores times de basquete da liga estudantil estadual. Raramente seu time obtém alguma vitória e, nunca conseguiu chegar as fases finais dos torneios locais. Seus jogadores se contentam em apenas fazer algumas jogadas de efeito e, eventualmente, conquistar alguma vitória e dessa forma justificar a sua vida de esportistas.
Os resultados escolares também são lastimáveis e não se referem exclusivamente ao rendimento dos atletas do time de basquete. Poucos são os estudantes dessa escola que conseguem chegar à universidade, muitos desistem até mesmo de completar o Ensino Médio (High School) e a incidência de jovens da comunidade no mundo do crime é bastante alta.
Quando a escola acerta a contratação de um novo treinador para sua equipe de basquete pensando na próxima temporada não imagina que sua chegada vai mexer muito com os brios do time e também com o próprio conceito de escola que a comunidade tem. A maioria das pessoas acredita que treinadores e professores de educação física devem se preocupar apenas com a parte atlética da formação de seus pupilos, não é?
Ken Carter (Samuel L. Jackson), o novo treinador, não pensa dessa forma. Desde o princípio aplica métodos ortodoxos de trabalho visando dar a seus jovens o máximo de disciplina para conseguir nos jogos os resultados que todos gostariam de atingir. Além disso, diferentemente de outros vitoriosos treinadores, Carter defende a tese de que as vitórias do esporte devem também ser transformadas em vitórias na vida futura.
De que valem os troféus que enfeitam os corredores das escolas se depois de tudo isso esses “vitoriosos” atletas não conseguirem diplomas, formação universitária, trabalho, estabilidade, decência e respeitabilidade? Partindo dessa premissa, Carter desafia a comunidade e, mesmo diante de uma excepcional campanha de sua equipe, tranca o ginásio ao mesmo tempo em que cancela jogos para exigir melhor rendimento acadêmico de seus jogadores.
Afinal de contas, como aprendemos com o velho chavão latino, a completude e a harmonia nos seres humanos se dão a partir do momento em que temos o corpo são e a mente também…
Fonte: Planeta Educação
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Como falar de “Um Sonho Impossível” sem soar piegas? É meio complicado, pois o longa, que conta a história do jogador americano Michael Oher, abusa do politicamente correto. Oher é um jovem problemático. Calado e de rosto inexpressivo, ele praticamente vagava pela vida como um Buda ou algo parecido até que Leigh Anne Tuohy, uma mulher de classe alta cheia de personalidade, o adotou como filho. O jovem rodava pela rua procurando um lugar quente para dormir quando sua futura mãe o acolheu.

Sem família e nem rumo certo, Oher estava morando com os pais de um amigo (o único talvez), quando eles se mudaram, não o avisando para onde iriam. Estudando em Mississipi, na escola do filho de Leigh Anne, ele era figura conhecida de todos, pois se tratava de um jovem negro muito alto e forte, de pouquíssimas palavras e amigos. Um tipo inusitado em um local que já foi um epicentro de preconceito racial. Com diversos problemas de aprendizado, era considerado problemático entre os professores, que não viam como ensinar o garoto. Acabaram descobrindo que, por trás das poucas palavras, havia um ouvinte, e métodos especiais levaram a escola e entender e aceitar este novo aluno como um deles. Ele começou a se sair melhor na escola.

A amizade entre Oher e o jovem S.J, filho de Leigh Anne, foi um dos catalisadores desse resgate corajoso, aliado também à total falta de preconceito e somada a uma imensa bondade e solidariedade. Afinal S.J é um garotinho, enquanto Oher tinha vinte poucos anos (não sabem ao certo, pois ele não possuía quase nenhuma documentação). A realidade é que a família que o acolhe, composta pelos já citados S.J e Leigh Anne, juntamente ao pai Sean e a filha Collins, são espécies em extinção neste mundo de hoje, ou seja, pessoas verdadeiramente boas. Elas não são santas, cometem seus erros, têm suas dúvidas, mas se esforçam para fazer o melhor, e realmente o fazem. Verdadeiros cristãos republicanos.

Claramente que o porte físico avantajado de Michael foi um dos fatores de ele ter sido aceito na escola em que estava estudando. Ele realmente se mostrava apto à prática de esportes, mas seu jeitão seria um problema na hora dos treinamentos. Entretanto, o rapaz acaba encontrando seu caminho e, como já sabem, se torna um profissional do futebol americano cobiçado pelos treinadores.

O diretor Lee Hancock se sai muito bem à frente do longa. Capturado pela fantástica história que contou, o cineasta segue um caminho clássico, que mantém o clima do filme de forma eficaz. Devido ao passado sofrido do jovem, o drama é parte fundamental da obra, constantes choques de realidade que são sentidos pela família rica, que percebe a distância deles de um universo que se esgueira a margem da sociedade.

Ainda assim, alguns momentos são de uma alegria tão perfeita que chegam a soar piegas, como na cena em que os dois irmãos treinam e fazem exercícios, se divertindo e dando risadas. Praticamente um comercial de margarina. Mas não me entendam mal, somente os mais rabugentos se incomodariam com tal felicidade alheia. Um humor saudável e de bom gosto. Em paralelo, Hancock inova e mostra toda sua criatividade e coragem em certas situações, como os excelentes primeiros minutos, nos quais, de uma forma didática e explicando por meio de cenas reais de um jogo de “football”, avisa que estamos entrando em um mundo esportivo admirado por seus realizadores.

Sandra Bullock se destaca nesta produção como Leigh Anne. Encabeçando o elenco e segurando com força o status do filme, a atriz se sai muito bem como esta personagem, com seu vigor e atitude praticamente se mostrando mais uma exteriorização de comportamento do que uma interpretação em si. É difícil personificar alguém realmente bom sem parecer forçado, e atriz consegue isso. Este com certeza é o motivo da repercussão de sua atuação no filme, que já foi premiada com o Globo de Ouro e o Oscar. Todo o simbolismo de sua personagem real tem uma força inquestionável.

Quinton Aaron, que interpreta o jogador Oher, teve uma tarefa ingrata. O personagem, que é aparentemente simples, traz diversas camadas capturadas muito bem pelo ator. Apesar de um Q.I baixo, o jogador parece ser um gênio na escola da vida. Por de trás de uma infância sofrida, está um homem bom e protetor, um grande irmão urso.

O elenco traz ainda Tim McGraw, interpretando o cúmplice marido Sean. Com carisma, o ator entregou um homem que é submisso a sua mulher, mas como ela está sempre certa e suas lutas são dignas do esforço, ele apóia sua companheira de forma incondicional. Assim também temos a filha Collins, interpretada por sua xará Lily Collins, que alcança também o tom exato para esta linda adolescente que se vê em uma encruzilhada social em sua escola, claramente seguindo pelo caminho correto e sempre mais difícil.

Por fim temos a surpresa do filme, o jovem S.J. O ator mirim Jae Head que o interpreta dá um show com seu personagem, que também é bom com atuação (ele se sai muito bem no teatro da escola) e é apaixonado por esportes. Suas cenas são as mais engraçadas, um alicerce fundamental no filme.

No time de coadjuvantes está Kathy Bates como a professora particular Miss Sue, uma democrata cheia de filosofias e de bem com a vida. Também com um humor de qualidade temos Ray McKinnon como o treinador Burt Cotton, outro que acaba sendo submisso aos conselhos irritantemente corretos da mil e uma utilidades Leigh Anne.

“Um Sonho Impossível” causou certa surpresa ao ser indicado entre os dez candidatos a Melhor Filme na premiação do Oscar. Isso mostra como a história tem sua força própria. Sendo finalizado de uma forma que se tornou padrão para os filmes atuais que reencenam fatos verídicos, os créditos finais são acompanhados de fotos e vídeos da família em questão. Simetricamente representados, reais e ficcionais se confundem. Nada mais comum em mundo onde a vida real é boa demais para ser verdade.

Fonte: Cinema com Rapadura

Uma história de superação!

Publicado: agosto 18, 2010 em Filmes que inspiram

Sabe quando você ouve aquela história impossível de superação, do cara que estava abaixo do fundo do poço e consegue dar a volta por cima? A primeira reação é dizer “ah, vá! Isso não pode ser verdade”. A segunda, ainda sem acreditar, é “Imagina… isso só acontece em filme”. Este é À procura da felicidade (The persuit of happyness, 2006), filme inspirado na vida de Chris Gardner, um ex-vendedor de São Francisco que conseguiu se tornar um milionário corretor das bolsas de valores.

No filme, interpretado por Will Smith, Chris Gardner é a personificação da Lei de Murphy. Tudo o que poderia dar errado em sua vida, deu. Perdeu a esposa, a casa, o carro e suas economias em um investimento furado em scannersósseos que logo caíram em desuso. Só sobraram seu filho, de 5 anos, e seu sonho. Parece um dramalhão edificante. E é. Deve ter horas em que até o projecionista fica com vontade de desligar a máquina e acabar o filme por ali, para tentar evitar que o protagonista se ferre ainda mais. Não adianta, o sofrimento parece infinito e dura até o fim das quase duas horas de rolo.

Rebobinando a história, tudo começa nos anos 80, em São Francisco. Chris Gardner era um vendedor que ao ver um engravatado estacionando uma Ferrari se encanta com o visível sucesso do sujeito e pergunta ao executivo o que ele faz para possuir o tal veículo. Descobre assim que trabalhar na bolsa de valores dá dinheiro e decide investir na carreira. Ao saber que o marido está disposto a involuir, apostando seu futuro em uma vaga de estagiário em uma empresa corretora de títulos e valores, a esposa decide sair dali e se muda para Nova York.

Milagrosamente, ele consegue a vaga de estágio mesmo indo fazer a entrevista com os sócios da empresa direto da cadeia, onde ficou preso por não ter pago multas do carro que nem tinha mais. E com o estágio garantido as coisas começam a se acertar? Que nada! O trabalho não é remunerado. Os seis meses de curso serão eternos, com o pouco de dinheiro que havia sobrado se esvaindo mais rápido que brigadeiro em festa de criança. Sem condições de pagar aluguel, Chris e seu filho passam a viver na rua, dormindo um dia no metrô, outro nos abrigos para sem-teto. A vida não era fácil, mas usando a sua inteligência, o bom humor e a capacidade de lidar com as pessoas Chris vai sobrevivendo e mantendo saudável a sua relação com o filho.

Fonte: Omelete.com.br

Pessoal, resolvi compartilhar com vocês todas as semanas um filme que me inspirou de alguma forma. O primeiro filme escolhido é Invictus.

Retrata a saída de Nelson Mandela da prisão, seus primeiros atos como presidente e como ele diminuiu a segregação racial na África do Sul através do rugby.

Vale muito a pena conferir